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Quem Somos

A partir de dezembro de 2013, um grupo de pesquisadores organizou reuniões e projetou a construção de um grupo de pesquisa que teria como elemento comum não exatamente um tipo de objeto, mas uma abordagem teórico-metodológica e a disposição para a crítica como seu elemento familiar. A figura mitológico-subversiva do Curupira converte-se em mote a partir do qual procuramos organizar um grupo que tem a impostura como lugar metodológico, a fratura do colonial como premissa e a reflexão sobre outras epistemologias como objeto-problema. Construímos então o “Curupiras: Colonialidades e Outras Epistemologias”, que foi cadastrado no diretório de grupos de pesquisa do CNPq2, tendo a princípio duas linhas de pesquisa, a saber: a) (R)existências, soberanias e outros saberes; e b) Cultura visual, imaginário social e processos de subjetivação.

Ao longo do tempo o grupo passou por reconfigurações. Inicialmente éramos oito amigos pesquisadores que se vinculavam institucionalmente à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), à Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-PE). De oito passamos a quatro pesquisadores para logo em seguida ampliarmos significativamente o número de pesquisadores associados ao grupo e consequentemente o número de instituições parceiras. Hoje em dia, existem Curupiras de Norte ao Sul do Brasil. Para essa ampliação foi significativa a participação de pesquisadores remanescentes do programas de pós graduação do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, mais especificamente do doutoramento de Pós Colonialismos e Cidadania Global, que voltam para o Brasil numa perspectiva de pautar a agenda das ciências sociais do país a partir de uma lógica paradigmática emergente que implica em disseminar outras epistemologias e outras metodologias no marco das teorias pós coloniais e epistemologias do sul.

Dessa forma, nos configuramos enquanto grupo transdisciplinar de pesquisa que se dedica a pesquisar as possibilidades críticas alternativas de investigação e compreensão do social, com ênfase na denúncia e superação das várias modalidades de colonialismo. Procuramos, dessa forma, refletir sobre caminhos alternativos ao hegemônico enfoque eurocêntrico, vislumbrando processos e instâncias potenciais de resistência advindas da imposição do modelo civilizacional "ocidental". Atualmente nos organizamos a partir de três linhas de pesquisa que pretendem desenvolver, não exatamente como missão, a discussão que, de forma difusa, estamos propondo. Procuramos resumi-las da seguinte forma:

  • Políticas integradas para a sustentabilidade do desenvolvimento local: redes, atores, territórios

 

O processo de globalização no Ocidente vem alterando profundamente as estruturas formais do Estado, direito e democracia. Nessa configuração, a capacidade de atuação dos governos locais, de pequenas empresas, da economia popular, de centros de formação, de organizações não governamentais, de associação de produtores rurais e de movimentos sociais vem passando por desafios no que concerne a se adaptarem, ou até mesmo sobreviverem, a essas mudanças que vem alterando profundamente o sistema político, econômico, social e cultural em nível local. A sustentabilidade ambiental e a viabilidade econômica convivem com desafios de ordem social profundas. Algumas inquietações que nos movem são: como estão se organizando os territórios frente a esses desafios? Quais mudanças precisam ser introduzidas ao nível da governação local, da infraestrutura econômica e da participação pública aos processos decisórios? Quais conexões devem buscar os atores do território? Em torno de quais projetos? Com quais instrumentos?

 

  • Educação, Diálogo de Saberes e políticas da (r)existência

Partimos de um pressuposto que a crise de alternativas não se configura simplesmente enquanto uma falta de disponibilidade momentânea de soluções, mas que ela também é uma crise da teoria que vive num dilema de oferecer soluções tão distantes da realidade que não parece possível poder alcançar num futuro próximo ou não oferecer solução alguma porque a própria ideia de solução é problemática, ou ainda, não há solução possível para além da escolha entre um modelo do desenvolvimentismo e um modelo da austeridade. Por outro lado, a solução da crise da teoria não se constrói com o abandono da teoria, mas precisamente com uma reflexão sobre a epistemologia e com uma predisposição ao diálogo com outras epistemologias. A partir dessa perspectiva que adotamos o conceito de ecologia dos saberes de Boaventura de Sousa Santos, assim pensamos em debater possibilidades de alternativas a partir de um prisma de diversidade que possa apontar formas de pensamento prudentes para formas decentes de vida. Também pretendemos uma ideia de Universidade que se estabeleça sob a perspectiva do diálogo de saberes, na qual a práxis dos movimentos sociais não seja utilizada meramente como fonte de pesquisa, nem como metalinguagem, mas, sobretudo, como alternativa possível.

 

  • (R)existências e diversidades de saberes nas Cidades: Representação e Cultura Política

Também nos interessa uma temática que vem ganhando bastante destaque em níveis globais, nacionais e locais que é o debate sobre a cidade. Pretendemos debater as cidades como um objeto complexo que agrega as problemáticas sociais, culturais, econômicas e políticas; as múltiplas formas de segregação social, cultural, dos sujeitos; as representações subjetivas dos indivíduos, coletividades artísticas e culturais; a diversidade conflitiva cultural e étnica dos grupos urbanos; e a cultura como recurso das políticas urbanas. Pretendemos debater as culturas políticas das cidades, ressaltando como muitos dos usos políticos dos aparelhos de cultura (a preservação, os museus, as políticas de patrimônio), vêm operando, a partir de uma metalinguagem de preservação de identidade e da preservação da memória coletiva, um programa de gentrificação e turismo global que vem a contribuir com o avanço da segregação urbana e das lógicas de isolamento. Além disso, visa-se debater os problemas relativos às cidades rurais, ao turismo e ao processo de patrimonialização de culturas imateriais.

Pesquisadores