Carta de Normandia

Estivemos no Agreste pernambucano, entre os dias 9 e 10 de dezembro de 2019, reunidos no assentamento Normandia, onde funciona o Centro de Formação Paulo Freire (CFPF), numa atividade denominada Universidade Popular dos Movimentos Sociais. Participaram da atividade:

 

Advogados pela Democracia; ASA – Articulação do Semiárido; Articulação do Sertão Anti-Nuclear; Caranguejo Uçá; CES - Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra; CEPA – Centro de Educação Popular Assunção ; CIMI – Conselho Indigenista Missionário; CONAQ – Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas; Coletivo Aimirim – UFPE; CRDH Semiárido - Centro de Referência em Direitos Humanos da Universidade Federal Rural do Semiárido; Comunidade Quilombola de Castainho; CPT – Comissão Pastoral da Terra; Curupiras: Colonialidades e Outras Epistemologias; FME – Fórum Municipal de Educação de Caruaru; FETAPE – Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Pernambuco; FMPE – Fórum de Mulheres de Pernambuco; Lutas e cores; GRITT – UFPE; MMM – Marcha Mundial das Mulheres; MMTR – Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais; MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra; NEABI – Núcleo de Estudos e Pesquisas Afrobrasileiros e Índígenas (Projeto Baobá-Ymyrapytã) da Universidade Federal da Paraíba – UFPB ; Observatório dos Movimentos Sociais da América Latina – CAA/UFPE; Rede Nacional de Parteiras Tradicionais do Brasil; RENAP – Rede Nacional de Advogadas e advogados populares; SERTA – Serviço de Tecnologias Alternativas; UFRPE – Universidade Federal Rural de Pernambuco; Povo Xukuru Do Ororubá;

 

Somos educadoras e educadores populares, ativistas, coletivos, grupos étnico-raciais, organizações não-governamentais, movimentos sindicais rural e urbano e movimentos sociais, que atuam no campo e na cidade. Estamos reunidas e reunidos diante de uma urgência de luta contra a aceleração de retrocessos e ataques a direitos, frente a um crescente processo global de avanço do conservadorismo. No Brasil, o governo Bolsonaro dá força a esta crescente onda de opressões patriarcais, coloniais e capitalistas.

Nestes dois dias destacamos:

1) O nosso apoio irrestrito ao Centro de Formação Paulo Freire, que é um dos maiores centros de referência em educação popular, educação do campo, agroecologia e formação política do país, contra os ataques que vem recebendo por parte da Justiça e do INCRA desde agosto de 2019, a partir de uma ordem de despejo, emitida pelo Juiz da 24ª Vara Federal de Caruaru, que está temporariamente suspensa por ordem do TRF da 5ª Região.

 

2) A necessidade de nossa unidade na luta contra o capitalismo, fascismo, patriarcalismo, imperialismo, LGBTIfobia, racismo, e a favor da causa indígena, quilombola e de povos e comunidades tradicionais, camponesa, da luta urbana e das trabalhadoras e trabalhadores do campo e da cidade, com o grande desafio de superar a fragmentação das lutas. Entendemos, assim, que alguns princípios nos conectam: busca por justiça social, democracia, emancipação, bem viver, indignação, necessidade de mudança, e um forte sentimento de ameaça que nos mostra a urgência de resistir em defesa da vida.

 

3) A necessidade de construirmos experiências de formação conjuntas, que agreguem ao mesmo tempo o formato participativo e autônomo da educação popular, a formação política, e a construção de diálogos de saberes comprometidos com lutas sociais contra o capitalismo, o colonialismo, o racismo e o patriarcado;

 

4) A importância de realizarmos a UPMS enquanto espaço político e coletivo de formação, construído a partir das trocas entre coletivos organizados, com o duplo objetivo de aumentar o conhecimento recíproco entre os movimentos e organizações, e tornar possíveis ações coletivas conjuntas;

 

5) A necessidade de aprofundar o compromisso da Universidade Pública com as lutas populares e suas organizações

 

6) A importância de, enquanto UPMS, ampliarmos o debate para grupos sociais oprimidos com quem não temos conseguido dialogar;

 

Para dar seguimento aos trabalhos, nos comprometemos a: Construir uma Escola de Formação da Universidade Popular Movimentos Sociais que se localizará no Centro de Formação Paulo Freire, no SERTA, e demais espaços formativos, realizando atividades político pedagógicas que serão construídas de forma horizontal, respeitando os princípios e pautas dos movimentos e instituições envolvidas.

 

Convidamos outros coletivos que se identifiquem com as propostas aqui apresentadas para se somar nessa construção.

10 de dezembro de 2019

Assentamento Normandia, Caruaru, Pernambuco, Brasil

https://alicenews.ces.uc.pt/index.php?lang=1&id=27584

Contatos:         https://www.facebook.com/groups/curupiraglobal/?fref=ts

                      nucleocurupiras@gmail.com

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