Metodologia

Atualmente o grupo funciona a partir de duas instâncias: a direção do grupo e a rede Curupiras. A direção está composta por quatro pesquisadores: Caetano De Carli, Francisco Sá Barreto, Izabella Medeiros e Júlia Benzaquen. A rede é composta por todos os pesquisadores já aqui mencionados. Temos reuniões mensais, onde um mês é a reunião de direção e no outro reuniões de rede que são feitas com ajuda da internet, visto que estamos bastante espalhados no Brasil. Para além das diversas atividades acadêmicas que cada pesquisador está envolvido e que contribui para o acumulo do grupo de pesquisa planejamos e executamos diversas atividades que serão descritas a seguir.

Memória de Eventos Passados

Uma primeira rodada de atividades se referiu a apresentação dos trabalhos que os próprios Curupiras vinham desenvolvendo, no sentido de nos conhecermos melhor. Com esse propósito tivemos algumas atividades abertas ao público, que eram palestras que aconteciam alternadamente, entre a UFPE e a UFRPE. O público dessas palestras eram pesquisadores e estudantes que em suas respectivas instituições estavam desenvolvendo estudos a partir da perspectiva pós-colonial. Paralelamente às palestras, mensalmente, pelo menos, tínhamos reuniões internas do grupo para discussão sobre a nossa própria estruturação e para a organização das atividades. Também, já nesse primeiro momento, grupos de estudos coordenados por diferentes Curupiras em distintas instituições de ensino, discutiam com estudantes textos relevante para o debate que estávamos propondo. As palestras foram:

  • Teoria do Discurso Colonial e Paisagem no Brasil Holandês. – Daniel Vieira, no dia 31 de janeiro de 2014

  • Sobre a Biologia em América Latina: males de origm (AAL:mo). – Alexandro de Jesus, no dia 25 de abril de 2014

  • Reflexões a respeito da ideia de (r)existências a partir do conceito de emergências – Júlia Benzaquen, no dia 23 de maio de 2014

  • Resistência Camponesa e ecologia dos saberes – Caetano De Carli, 06 de junho de 2014


 

Importa mencionar que foram essas palestras a base para a publicação do nosso primeiro livro publicado pela Editora Universitária da UFRPE (https://www.curupiras.com/publicacoes).


 

Passamos então para uma fase de tentar buscar parceiros e pessoas com quem dialogar. Na época pensamos que a estrutura de mesas redondas facilitaria esses diálogos. As mesas que aconteceram foram de temáticas extremamente diversas, todas relevantes para os debates políticos:

  • Movimento Ocupe Estelita: alguns aspectos do debate – Leonardos Cisneiros, Cristina Gouveia, Renato Feitosa e Dhuzati Coletiva em 21 de julho de 2014

  • Colonialidade e biopolítica: é possível a construção de uma outra cultura sobre o parto? – Camila Pimentel, Eliane Muller e Laís Rodrigues em 02 de outubro de 2014

  • Representação e radicalização democrática – Gabriel Brito e José Gomes em 23 de outubro de 2014

  • As experiências do Sul e seus giros teóricos: entre Sociologias e Literarutas – Alfredo Cordiviola e Michely Peres de Andrade em 06 de novembro de 2014

  • A arte contemporânea e os seus tensionamentos entre o público e o mercado – Olívia Medeiro Mindelo e Raíza Ribeiro Cavalcanti em 12 de dezembro de 2014

  • Sofrimento psíquico, individualismo e uso de psicotrópicos: saúde mental e individualidade contemporânea – Arthur Perrusi em 30 de abril de 2015

  • Precarização do trabalho e movimento sindical na contemporaneidade – Rodrigo Nery e Vitor Rodrigues em 28 de maio de 2015

  • Migração e participação política: os casos de Lisboa e Pádua – Giulio Mattiazzi em 16 de setembro de 2015


 

Decidimos investir na organização do primeiro Seminário Internacional Curupiras. Graças a uma forte articulação entre academia e protagonistas do território pernambucano, o Seminário “Universidade & Territórios: diversidade de saberes para as alternativas sociais” que aconteceu de 22 a 26 de agosto de 2016 em Garanhuns (UFRPE) e em Recife (UFPE) realizou um conjunto de atividades didáticas e laboratoriais com o objetivo de recolher, elaborar e formular novas abordagens, metodologias e soluções para refletir sobre os principais problemas que passam o campo e a cidade no Brasil. Temas da cultura, da política, da economia e da sociedade foram enfrentados objetivando a busca por soluções possíveis à crise a partir do paradigma de transformação e melhoramento social no campo e na cidade. Economia e cultura política, direito à cidade, direito à saúde, direito à educação, direitos dos povos do campo, a questão étnica, de gênero, do meio ambiente, do desenvolvimento local, da educação do campo, da educação de jovens e adultos, da identidade, do empreendedorismo, da economia solidária, do pensamento pós-colonial na América Latina e na África, das políticas de intervenção urbana e do patrimônio foram temas abordados nos cinco dias do Seminário e foram decisivos para a elaboração de uma agenda em comum entre academia e territórios, além de ideias e apontamentos para possibilidades de novas reflexões sobre as temáticas levantadas. As atividades do Seminário foram: palestras, mesas redondas, grupos de trabalhos e visitas temáticas. Como produto do seminário publicamos os anais do evento em formato de ebook pela Editora Universitária da UFRPE (https://www.curupiras.com/publicacoes).

O Seminário Internacional teve financiamento que possibilitou a vinda do Professor Paulo Peixoto do CES – Universidade de Coimbra, do Professor Pedro Hespanha também do CES – Universidade de Coimbra e do pesquisador italiano Giulio Mattiazzi. Com um dos recursos, conseguimos trazer novamente o Professor Pedro Hespanha para Recife para participar do Fórum de Desenvolvimento Local e para ministrar um minicurso sobre Ivan Illich. O minicurso aconteceu nas manhãs dos dias 30 e 31 de março com um público bastante engajado e interessado na obra do autor. A partir de uma metodologia dialógica foi possível ampliar o conhecimento sobre Ivan Illich.

Além das publicações o primeiro Seminário Internacional Curupiras favoreceu a construção de um outro evento, o I Fórum de Desenvolvimento Local do Agreste de Pernambuco - tecendo redes de ação. O “I Fórum de Desenvolvimento Local do Agreste de Pernambuco: construindo redes de ação” foi uma atividade de co-projetação de ações de desenvolvimento local integrado e sustentável que se realizou nos dias 3, 4 e 5 de Abril de 2017 em Garanhuns, Lajedo e Caruaru. A discussão sobre a sustentabilidade do modo de desenvolvimento local e a necessidade de realizar caminhos alternativos para superar a crise econômica, social e cultural, já ricamente dialogadas no “I Seminário Internacional Curupiras Universidades & Territórios: Diversidade de Saberes para Alternativas Sociais”, em Agosto de 2016, ganhou continuidade nesse Fórum com uma diferença fundamental: um formato menos acadêmico e mais direcionado à formação de redes de ação no território. Com essa intenção que se realizaram três visitas técnicas – na Comunidade Quilombola de Castainho (Garanhuns), na Associação de Trabalhadores Rurais de Lajedo e no Assentamento Normandia (Caruaru) – se centrando em torno de três cadeias produtivas: farinha de mandioca, laticínios e carne de caprinos e ovinos. Também foram realizados, nos dias 4 e 5 de Abril, os laboratórios de co-projetação na UFRPE (Unidade Acadêmica de Garanhuns) e na UFPE (Campus Agreste - Caruaru) . Em cada um desses dias, ocorreram três laboratórios de co-projetação, divididos nos seguintes eixos: 1- Formação de redes de capacitação, assistência técnica e extensão rural (Coordenação Giulio Mattiazzi: Universidade de Pádua e IILA); 2- Ações em rede de Desenvolvimento Local: cooperação, comercialização e sustentabilidade (Coordenação: Elisa Gritti (UFPE); 3- Bem-Viver, Equidade e Meio Ambiente: ações integradas em educação, saúde e cultura (Coordenação: Júlia Benzaquen - UFRPE). Os objetivos principais dessas atividades foram: conhecer o contexto sócio-produtivo local; realizar uma análise primária das demandas específicas existentes e da rede de atores atuantes, propor um conjunto de ações de curto prazo comuns de desenvolvimento local sustentável e ações de médio e longo prazo que possam ser sistematizadas num projeto. Como fruto do Fórum várias atividades estão em andamento, algumas delas:

  • Feira da Reforma Agrária na Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP) em parceria com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Associação de Produtores de Leite de Lajedo e outras redes produtivas.

  • Grupo de Consumo Fruto da Terra

  • Curso Popular de Formação em ATER com ênfase na pecuária agroecológica

 

Para além dessas atividades que aconteceram predominantemente em Recife, onde se localiza atualmente a direção do grupo Curupiras, enquanto Curupiras participamos de outros eventos enquanto grupo de pesquisa. Participamos do ENICECULT - Encontro Internacional de Cultura, Linguagens e Tecnologias do Recôncavo de 22 a 24 de março de 2017 que buscou a estimular o debate e a produção científica interdisciplinar com o objetivo de apreender a estreita correlação existente entre os sistemas culturais, a diversidade das suas linguagens constitutivas e as tecnologias que lhes são inerentes. Nesse sentido, por meio de grupos de trabalhos (GTs), sessão de pôsteres, composição das mesas (Diálogos Interdisciplinares: expressões da resistência e Diálogos Interdisciplinares: devir dos sistemas culturais), conferências de abertura e de encerramento, o evento pretendeu dinamizar as interações interdisciplinares que estão latentes em cada temática deste Encontro.

De 12 a 14 de junho de 2017, em Caruaru – Pernambuco, participamos do terceiro Seminário Internacional do Observatório dos Movimentos Sociais na América Latina, com o tema EDUCAÇÃO, MOVIMENTOS SOCIAIS E DIREITOS HUMANOS: Epistemologias subversivas. O Seminário se propôs a debater conhecimentos e experiências produzidas no âmbito das experiências de luta dos movimentos sociais e dos direitos humanos.

Participamos também na organização da VI edição do Seminário de Políticas Sociais no Mercosul (SEPOME) em Pelotas, de 28 de novembro a 01 de dezembro de 2017, que centrou as análises e debates nas questões relacionadas à crise social, política e econômica e os impactos nos Estados do Sul, tendo em vista que o processo de crise não é uma condição apenas do Brasil, mas também dos demais países que compõe o Mercosul, bem como, países de outros continentes – a exemplo de Portugal, na Europa, que também estará representado no evento. O “Sul” é concebido metafóricamente “como um campo de desafios epistêmicos, que procuram reparar os danos e impactos historicamente causados pelo capitalismo na sua relação colonial com o mundo” (Santos & Meneses, 2010, p. 12) . Para além do Sul geográfico – o conjunto de países e regiões do mundo que foram submetidos ao colonialismo ocidental – esta concepção de Sul compreende também realidades resistentes e alternativas do Norte que foram ou são ainda deixadas em situação de invisibilidade. A proposta do Seminário foi refletir sobre as diferentes políticas sociais e o acesso à justiça frente ao contexto internacional dado.

No ano de 2018, propomos uma atividade no Fórum Social Mundial que aconteceu em Salvador de 13 a 17 de março de 2018. Fizemos uma roda de diálogos com a temática “Análise de Conjuntura a partir da perspectiva pós-colonial”. Foi um momento importante de reflexão e de planejamento das atividades futuras do grupo. Além disso, promovemos em parceria com a Universitá Degli Studi di Padova, a AD DIPER, o IPA, o SEBRAE, a Fundação Ética e Economia de Bassano Del Grappa e o Instituto Ítalo Latino-Americano, o Curso de Formação de Gestores e Técnicos "Gestão de Pequenas e Médias Empresas (PYMES) e Desenvolvimento Local, em Pádova, Bassano Del Grappa e Bolonha, nos dias 4 a 11 de Abril. Entre os dias 3 a 4 de Setembro, o Fòrum Ítalo-Pernambucano de Pequenas Queijarias em Garanhuns, com as mesmas entidades parceiras. Por fim, no dia 21 de Dezembro, realizamos a I Feira de Queijos Artesanais do Agreste.

 

PERSPECTIVAS/PLANEJAMENTOS

 

  • II Seminário Internacional Curupiras: Diálogos de (R)existências – a ser realizado em novembro de 2018. A ideia é que o seminário aconteça germinado a uma oficina da Universidade Popular dos Movimentos Sociais em Pernambuco. A vinculação dessas duas atividades é importante como forma de resignificar a produção do conhecimento científico reconhecendo outros saberes.

  • Alguns eventos que sentimos diálogos com as nossas perspectivas teórico-metodológica e que estamos nos organizando para participar enquanto Curupiras:

  1. CES – 40 anos, de 07 a 10 de novembro em Coimbra

  2. 1º Fórum Mundial de Pensamento Crítico e 8ª Conferência Latino-Americana e do Caribe sobre Ciências Sociais organizados pela Clacso, 19 a 23 de novembro em Buenos Aires

  3. Congresso Luso-Afro-brasileiro dias 28 de julho a 01 de agosto em São Paulo.

  4. Congresso Latino americano de Ecologia Política de 05 a 09 de novembro –– Cachoeira e Salvador – Bahia.

  • Apresentação de mesas e gts em congressos convencionais acadêmicos (a fim de adentrar com uma proposta contra hegemonica).

Contatos:         https://www.facebook.com/groups/curupiraglobal/?fref=ts

                      nucleocurupiras@gmail.com

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/283927778630981

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